Lista Negra

9 de fev. de 2014

Cores para 51 anos.

Eu sei onde você está. 
 Sei com quem você anda.
Já caminhei com você, em algum sonho. 

 Ele. Meu padrasto. Mas, que acaba sendo meu pai.
Ontem foi seu aniversário, e por isso atualizo o blog mais cedo. Quase nenhum amigo sabe dos problemas que já passei. Mas até já contei para uma pessoa especial, tudo aquilo que já passei. A minha vida é como um baú, que poucos tem a chance de ter esta chave para abri-lo. E na maioria das vezes, alguns jogam a chave para longe e fora da janela.
 Ele é meu pai. Apesar de tudo. Me criar desde os dois anos, ou menos, não lembro como minha mãe contou. Mas, assumir quatro filhos. Salvar a minha mãe de uma humilhação sem fim durante o período que viveu com a minha avó. Sabe, como a nossa família é tão destruidora? E as pessoas que vem de fora ao mundo, surgem para aliviar essa dor. Como?
Foto de ontem.
 O gesto deste homem, fez com que eu não chegasse a passar fome. Ou algo do tipo. Hoje já sou mais velho, já entendo muito o que nós passamos. E entendo que, os dois são guerreiros. Mas, nunca tive aquele carinho de pai. Justamente, porque a criação dele não foi a das melhores.
 Queria aquele pai, que me levasse na praça, brincasse comigo de futebol. Cantasse uma música ridícula comigo, talvez até da Xuxa. Sabe, só pra dizer: Meu pai é o melhor pai do mundo.
 Eles acham, que pra ser pai e mãe, é só alimentar, dar as coisas, cuidar quando você está doente. Mas, onde fica o carinho? Porque eu nunca recebo um abraço alheio? Ou um: Eu te amo, meu filho. Acho que nunca ouvi isso de uma maneira séria.
 Minha relação com os meus pais, não é a das piores. Sempre tento ser um bom filho, apesar dos meus esforços serem alheios. Nunca recebo: Obrigado, filho.
 Só queria que o mundo fizesse um outro mundo dentro de mim. Ou que tivesse feito.
 Você talvez não me entenda. Sempre fui um garoto solitário. Quando morávamos em um prédio, eu pegava meus brinquedos e subia para o "Play". E ficava lá o dia todo. Falando sozinho, escrevendo alguma coisa, pensando nos meus sonhos, chorando, sorrindo... Acabando sendo alguém totalmente oculto. Não era pra ser assim, eu era feliz. Lembro-me que era uma criança que sabia brincar na rua, ia todos os dias tentar jogar futebol com os meninos da rua. Brincava com as minhas amigas, dá época antiga mesmo. Ajudava em tudo o que dava pra fazer. Mas de repente, o meu mundo pequeno, avançou.
 E me vi distante de uma relação familiar.
Sei que esse texto é enorme para alguns, mas é só um pedaço do que eu guardo.
 E mesmo com tudo isso, você sendo esse cara totalmente ignorante, que não me dá um abraço, um beijo, um gesto se quer. Te desejo do fundo do meu coração, que você viva até que todos ao seu redor, estejam preparados para que você parta. Eu amo você, pai.

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